domingo, 20 de fevereiro de 2011

A LENDA CIGANA DO DOM DA ADIVINAÇÃO

Era uma vez um povo...

Que vivia nas entranhas da Terra, tendo o fogo como seu elemento mágico e purificador, eram adoradores do fogo sagrado que há por dentro das profundezas da terra...

Esse povo vivia oculto, tendo suas ocupações e seus afazeres, sem conhecer absolutamente nada que pudesse existir na superfície. As gerações se passavam inteiras enquanto os tempos corriam, e aquele povo permanecia vivendo dentro do mundo, ignorando tudo o que houvesse por fora dele...

Por conta disso, eles viviam injuriados e tristes, pois só conheciam noites sem fim...Mas tinham uma fé imensa e uma grande sabedoria. Um dia, um homem, cansado daquela mesmice, cansado por conta da dificuldade em se conseguir água, adormeceu enfadado e sonhou com um mundo diferente...
Em seu sonho, uma mulher belíssima, vestida com um manto azul de estrelas, puxava-o do fundo da terra por uma cratera e descortinava-lhe tudo o que havia de desconhecido onde ela habitava...Em seus sonhos viu coisas que nunca havia imaginado antes, um firmamento azul, as flores, as águas abundantes dos rios, as chuvas...

Maravilhado, despertou com a idéia fixa de sair dali, e investigar se, de fato, na superfície havia tudo aquilo que a maravilhosa mulher lhe havia apresentado. Com uma tocha, o rapaz foi subindo, subindo, passando por meandros ocultos e galerias que conhecia, até chegar à uma caverna até então desconhecida, de onde pôde vislumbrar os raios da luz solar, que, a princípio, machucaram seus olhos tão afeitos à escuridão e à luz única do fogo sagrado... Viu o céu límpido, onde criaturas aladas voavam e emitiam cantos sonoros...

Viu árvores imensas, onde estavam pendurados frutos coloridos e bonitos...Pela primeira vez, sentiu o vento, ouvindo a música que ele toca quando passa... Viu inúmeras fontes de água e cascatas, cercadas de flores de cores vivas e animais diversos. Seus olhos não conseguiam entender tanta beleza, como ele seria feliz se ali pudesse viver...

Como seu povo seria feliz se visse tanta maravilha, tantas cores!

Pensando nisso, ele desceu de volta às entranhas da Terra, levando pequenas coisas que pudera coletar: frutos e flores, pedras e ramos de árvore.
Precisava provar aos mais velhos que ali estivera! Ao chegar, descreveu a todos os seus o que vira lá em cima, e todos, encantados e ansiosos com essa nova possibilidade, também quiseram vislumbrar esse mundo desconhecido...

A mais velha daquele povo, porém, munida por sua fé inabalável e pela experiência de anos e anos de vida, sentindo o impulso daquele povo passional em se arriscar pelo desconhecido, pediu:
- Meus filhos! Sempre vivemos aqui, não teremos outras possibilidades numa terra onde vivem outros seres diferentes de nós. O que faremos, num mundo adverso, e com tantas diferenças? Temos crianças, que são frágeis...Os que vieram antes de nós contam que muitos tentaram subir e se perderam...

Eles, porém, estavam dispostos a tudo para subirem à superfície. Os mais velhos então orientaram:
- Rezemos a Deus, pedindo a Ele um conselho sobre o que fazer. Se nos for permitido migrar dessas terras, que Ele nos conduza pelas mãos de um Anjo de Luz, e abençoe nossas existências com a saúde e a sorte! Rezemos e peçamos a Deus que nos conceda a permissão de mudar dessas paragens!

Dessa forma, aquele povo simples e sofrido começou a rezar com fervor, imaginando como seria toda a maravilha que o rapaz tinha visto, toda a fartura e a cor que nunca tinham imaginado... A esperança cresceu tal qual as labaredas de uma fogueira, muitos haviam ali que nunca antes tinham dado um único sorriso na vida, e agora tinham nos olhos de fogo o sonho de uma possibilidade de serem mais felizes...
Deus, que nunca desampara nenhum de seus filhos, manifestou-se pelo fogo sagrado, e disse a eles:

- Meus filhos amados! Escutei a rogativa vinda da pureza de vossos corações, e , concedo-lhes a permissão para viverdes onde quiseres, deixando as entranhas da terra. Porém, vós não tereis sobre essa terra nenhum poder, nem brigarão pela posse delas, pois que elas nunca lhes pertencerão. Poderão andar por todos os quatro cantos do mundo, poderão conhecer todas as nuances dessa terra, mas sem se fixar a nenhum lugar dela. Só assim, vós crescereis e levareis à frente a missão para a qual vos destinei.

Respeitosa, a anciã se curva ante o fogo divino e questiona:
- Senhor, de quê viveremos nessa terra? Se não pudermos ter bens e haveres, se nesse lugar nada nos pertencerá, e estaremos nessa terra em êxodo constante, o que deixaremos às nossas crianças?

- Deixarás os dons que lhes confiarei a partir de agora, e o exemplo vivo de que nada nos pertence de fato, que o que temos somente é a nós mesmos, nossa alma imortal que, como vós, ascende das profundezas para a luz! Deixareis o exemplo da dignidade de ser autêntico, de ser verdadeiro e fiel ao que se acredita.

Foi para isso que vos criei. Povo Cigano, filho meu, dar-vos-ei o dom da adivinhação, com o qual podereis ajudar a todos os vossos semelhantes na dura jornada terrena. Lá em cima, eles pouco conhecem do futuro e do que a sorte lhes reserva... Tem pouco consciência, e se perdem dentro de si mesmos e das dependências que criam. Vós sabeis o que é o sofrimento e a tristeza, sabeis andar por reinos que eles desconhecem...

Dessa forma, podereis auxiliá-los a compreenderem a si mesmos, com esse dom divino que ora lhes concedo. Em troca da luz que desejam desfrutar, devereis vós iluminar os caminhos de vossos irmãos, para que eles se ajudem, se conheçam e se precavenham contra os males.

Dentro deles reina uma escuridão tal qual a que seus olhos vêem. Dou-lhes o dom de iluminá-los com o fogo sagrado do conhecimento. Como vós andareis por todas as terras, todos os conhecimentos se fundirão...
Os ciganos, então, de posse do que possuíam, e do dom da adivinhação dado por Deus, deixaram as entranhas da terra, e, em sua primeira caravana, rumaram para a superfície, sendo guiados pelo rapaz que os conduziu à entrada da caverna.

Qual não foi a surpresa deles ao avistarem na entrada da caverna uma cigana belíssima, vestida com um manto azul forrado de estrelas, oferecendo-lhe as mãos:
- Meus filhos, sou o anjo que Deus confiou para cuidar de vós. Sempre que precisardes, me chameis! Serei como estrela a vos guiar pelas estradas incertas dessa terra.

Dando as mãos a cada um dos ciganos que saía de dentro da terra, aquela entidade de luz abençoava a cada um com seu olhar plácido e benevolente.

E todos os ciganos ficaram com a marca de luz daquele olhar que refulgia as estrelas..

Todos traziam dentro de si a certeza de que, pelo fogo sagrado, o próprio Deus os ouviria, e , admirando as estrelas e a lua cheia, se lembrariam dos olhos de sua poderosa protetora, que estendera as mãos bondosas para retira-los das trevas de onde viviam...

Ela desapareceu num facho de luz, e os ciganos começaram sua eterna caminhada...

Como não conheciam as cores, se encantaram com elas, vestindo-se com a beleza do que elas representavam, dando vazão nas roupas a todo o colorido de suas almas...

Sabiam trabalhar com os metais, que podiam retirar das entranhas da terra, viram que as pessoas necessitavam demais dos artefatos que fabricavam...

Observando a natureza, seus ciclos e ritmos, seus elementos e seus animais, descobriram seu enorme talento para a música e a dança, criaram o circo...

Sua ligação com a magia do fogo permanecia, e isso continuou se transmitindo a todos os seus descendentes, era visível em seus olhos magnéticos, não era à toa que eram chamados “os filhos do fogo

Sabiam fazer coisas lindas, espalhando arte e beleza onde passavam, conduzindo o homem em seu sonho de liberdade sem fim.
Menestréis da liberdade, muita vezes incompreendidos, nunca levantaram armas pela posse de terras, respeitando a missão sagrada confiada por Deus. Sofreram inúmeras perseguições, mas sempre mantendo a sua fé no Anjo Protetor, chamando-a por vários nomes nas várias nações por onde passaram do decorrer de séculos.

E o principal:
lendo os olhos das pessoas, podiam dar vazão e crescimento ao dom que Deus lhes concedera: iluminar em troca de luz, auxiliar com a adivinhação os corações aflitos, distribuir alento e consolação aos que estavam sem esperanças...
Vendo a chuva, as flores, os animais e todos os elementos, desenharam-nos em pequenas chapas, com as quais falavam da sorte e dos destinos de quem os consultassem...

Comprovaram que a observação da natureza e das espirais do tempo auxiliavam sobremaneira o uso de seu dom sagrado...
Eles correram o mundo, e continuam correndo... Pois se diz que assim quer o destino, que assim Deus riscou, e o que Ele risca, ninguém rabisca!

Para quê os ciganos viajam tanto?
Para chegarem ao fim do mundo..
E quando chegarem, farão o caminho de volta, para depois iniciarem tudo de novo, levando a arte, a magia e a alegria à todas as raças.

“Nosso povo foi o escolhido por Deus para ser o mensageiro entre os povos!”

fonte: ruanodelacalle.blogspot

SIMBOLOGIA OS ANIMAIS PARA OS CIGANOS

Os ciganos reconhecem nos animais, através de sua natureza, suas qualidades, seus códigos, suas leis e, assim, inspiraram-se neles para estabelecer sinais secretos de comunicação com a sabedoria.

Águia
Representa a liberdade, a altivez, a força para ser livre.
Seu símbolo é o alvo a ser atingido.

Garça
È considerada uma ave cigana por ser incapaz de verter lágrimas de dor.
È uma ave sagrada.

Rato
Símbolo de perdas e prejuízos, problemas de saúde.

LOBO
Símbolo de força, lealdade e honra, pois só mata para se alimentar ou para eliminar um adversário.
Antigamente os lobos eram companheiros dos ciganos e não atacavam seus cavalos por lealdade.

SAPO
Simboliza a sabedoria, luz e feminilidade, potencial magnético ( usado para magias ).

GATO
Representa a prudência, cautela, paciência, capacidade de esperar o momento certo, independência e disponibilidade

POMBA
Desprezada pelos ciganos, pois não tem vontade própria e se deixa domesticar e abater sem resistência.
A pomba tem também grande significado se ela for escura, serve na magia, para afastar espíritos malignos; se for branca, representa a pureza, humildade, simplicidade, é ave conciliadora.

CORVO
Representa a justiça, boa sorte e sabedoria, é o único animal que se prejudicar seu semelhante, suicida-se. Para o cigano, mais vale morrer, do que viver sem honra.

SERPENTE
Significa a força, energia, feminilidade, sexo, boa sorte.

LAGARTO
Símbolo da fragilidade, pois perde a cauda quando o querem pegar.

fonte:pesquisa Day Paes

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

POEMA CARMENCITA

Cigana morena Cigana espanhola Que ama tocar castanholas

Cigana Carmencita,minha cigana bonita

Minha cigana encantada Cigana iluminada Fada,faceira!

Carmencita brilha em volta da fogueira Dança e enfeitiça Com seu pandeiro de fitas coloridas E tiara de flores nos longos cabelos negros

Com seu olhar penetrante Guarda os mistérios da vida

Enche de emoção nosso coração

Quando gira seus pés no chão Carmencita é bonita

Com sua saia rodada abre meus caminhos Nesta longa caminhada

É minha luz,é minha guia Bonita cigana da Andaluzia

Protege-me noite e dia

Com perfume de jasmim Com suas cartas sagradas Com a energia das pedras trabalha

Esta no sol,esta na lua é vento que refrigera minha alma

Em sua caravana ninguém ela engana

Carmencita minha andaluza cigana!

Salve La Banda,Carmencita Cigana!

Adriana Rodrigues Torres

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BANDEIRA CIGANA

A Bandeira Cigana é feita de duas listras, sendo uma azul e outra verde; e uma roda vermelha no centro.

A faixa azul, além de representar “o teto de liberdade”, simboliza também a busca por Deus.

A faixa verde significa "a terra coberta de grama", pois para o cigano a terra por onde ele anda e pisa é a sua pátria.

A Roda é o símbolo tradicional da vida nômade, do ir e vir, e das diversas encarnações.

O vermelho lembra o sangue derramado no passado, mas também ressalta a alegria de viver deste povo.

A Roda, que toca o azul e o verde simultaneamente, faz alusão aos caminhos que os ciganos percorrem: da Alma e da Terra.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ORÁCULOS CIGANOS

Os ciganos tem a tradição de ler a sorte, para isso usam seus dons e os aprendizados que foram passados oralmente de geração a geração.

Oráculos utilizados pelos ciganos:

Acutomancia:
Previsões por meio de agulhas.

Bola de cristal:
Utilizada geralmente por mulheres como clarividência .
Elas se concentram e conseguem visualizar imagens do presente e do futuro na bola de cristal.

Cafeomancia:
Análise da borra de café.

Cartomancia:
Leitura da sorte através de cartas do baralho cigano.

Ceromancia:
Análise feita por meio de cera quente , pingada sobre uma superfície seca ou com água.

Cristalomancia:
Adivinhações por pedras preciosas ( cristais).

Dadomancia:
Leitura da sorte nos dados.

Jogo das patacas:
Jogado por homens e mulheres que utilizam as moedas como meio de prever e orientar.

Jogo de sementes:
Alguns ciganos homens costumam fazer análise por meio de caroços de frutas.

Piromania:
Leitura da sorte na chama da vela.

Quiromancia:
A leitura das linhas das mãos é habitual nas mulheres ciganas , sendo aprendida desde criança.

CIGANO PABLO

Vivi nesta terra a muito e muito tempo atrás. Quando vivo, chefiava uma tribo de ciganos que na maior parte do tempo acampava pelas terras de Andaluzia, como em minha tribo as tradições eram passadas de geração para geração e de pai para filho, herdei a chefia da tribo ainda jovem de meu pai.

Aprendi tudo que era necessário aprender com os antigos da tribo, que para nós ciganos, são as pessoas mais sábias sobre a face da terra.
Durante o tempo em que chefiei a tribo sempre recorri a eles em busca de sabedoria para solucionar problemas ou quando tinha dúvidas ou quando necessitava tomar qualquer decisão que fosse de maior responsabilidade, nunca gostei de tomar qualquer decisão, sem antes consultar a sabedoria dos antigos.

Quando nasci, fui prometido como todos os ciganos a filha de um dos ciganos da tribo, crescemos juntos e aprendemos a gostar um do outro e assim foi até atingirmos a idade necessária para contrairmos o matrimonio, enquanto isso aprendi com os antigos, todos os truques e todas as magias ciganas.
E assim fiz, desencarnei nas mãos de um jovem cigano irado com o fato de meu filho ter desonrado a sua prometida. Deixei em desgraça uma jovem mulher e três filhos rezando a Santa Sara para que cuidasse de todos.
Durante o tempo que me foi permitido velar por minha tribo e minha família, fiquei ao lado de todos tentando colocar algum juízo na cabeça de meu filho, esperando que depois do fato acontecido ele resolvesse aceitar o seu destino, mesmo depois de tudo o que fiz, esse meu filho ainda se rebelou com o que fiz, continuou em sua busca de algo que nem ele sabia o que era.

Nessa sua busca desse algo, foi levando em seus passos o meu segundo filho, que sem o pai, estava completamente envolvido pelo irmão mais velho, tentei de todas as maneiras que pude e me foi permitido, influenciar ao primogênito o sentido de dever, não conseguindo meu intento e vendo que o meu tempo estava se escoando, fiz o que qualquer pai amoroso faria, mudei o meu objetivo para o segundo filho, que com mais jeito que o mais velho aceitou tudo o que eu pude passar para ele.

Descobri então que com o segundo filho, tudo era mais fácil, pois, este já trazia de berço todos os dons que me foram passados por gerações, então investi neste, sempre com o intuito de regenerar o mais velho, indicando ao mais novo o caminho dos antigos, fiz com que este filho conseguisse com o seu carinho trazer o mais velho de volta, pois o segundo filho mostrou-se mais sábio que o pai e abrindo os olhos do primeiro filho o trouxe para o seio da tribo.
Depois de regenerado o meu primeiro filho retomou o seu lugar na tribo, ocupou o meu lugar, o qual o meu segundo filho controlou com muita sabedoria, ate a volta do irmão. Ai eu pude seguir o meu caminho no astral ate o dia em que pude tornar a encontrar a minha amada, e voltar a montar a minha tribo no astral.


DESCRIÇÃO

Era moreno, de cabelos castanhos cacheados que iam até os ombros, costeletas e barbicha. Seus olhos eram esverdeados.
Quando fazia o seu pó e as suas magias, Pablo usava blusão verde-claro de mangas curtas, por cima usava um colete verde-folha; a calça era da mesma cor do colete, assim como o lenço que usava na cabeça, amarrado para o lado esquerdo.
Em dias de festa ele usava um blusão branco com mangas compridas bufantes e calças bufantes da mesma cor. Em cima do blusão vestia um colete de veludo azul-turquesa rebordado em pedras coloridas em tons claros. Na cintura usava uma faixa azul-clara brilhosa, na qual prendia o seu punhal de cabo de madrepérola. Na cabeça ele colocava um lenço azul-claro amarrado para o lado esquerdo.

Seus adereços
Pablo usava na orelha direita uma argola de ouro com uma minúscula turquesa. No pescoço ele trazia um cordão de ouro com um pingente em forma de dado, também feito de ouro.

Sua magia
Esse cigano adorava mexer com folhas. As suas ervas preferidas eram o cólchico e o timbó-mirim. Esta última é ramosa, de cor verde-esbranquiçada; sua flor é rosa. Essa erva dá uma vagem dentro da qual existem várias sementes iguais a um feijão, na cor azul. É da semente dessa erva que se faz o anil e era dessa semente que Pablo fazia o pó que utilizava para magias diversas.
Pablo também usava, como seu pai, um copo de couro e três dados grandes para fazer suas vidências.
A fase da lua da sua preferência era a crescente.