quinta-feira, 28 de abril de 2011

O POVO CIGANO NA UMBANDA

Uma característica marcante do povo cigano é a liberdade, em relação às nacionalidades, aos padrões sociais e aos preconceitos que escravizam. Os ciganos são poeticamente denominados “Filhos do Vento”, por sua liberdade, fluida mobilidade e errância, sempre ao sabor do vento, percorrendo os quatro cantos do mundo em sua mágica trajetória. Profundos conhecedores dos caminhos, em sua saga milenar vêm recolhendo conhecimentos iniciáticos de todas as culturas e tradições.

Outra característica marcante é o seu conhecimento magístico e curandeiro, principalmente nos campos da saúde e do amor. É lendária a vidência de seus magos e sacerdotisas, que utilizam o elemento espelho, para refletir o Tempo, a memória ancestral, os conhecimentos, a arte da cura e dom da vidência. Por meio das cartas ou outros suportes materiais como bolas de cristal, estrelas do mar e simples copos de água, o futuro, o presente e o passado desdobram-se no vórtex temporal de suas visões.

Na Umbanda, a presença de ciganos tem sido cada vez mais constante, e em muitos terreiros, eles próprios já pedem para que seus médiuns trabalhem com a roupa branca, e ou outras cores claras, evitando sempre o preto que representa para eles a tristeza, e tenham apenas os seus elementos magísticos, como lenços, baralhos, espelhos, adagas, anéis, colares e outros. Nos dias de suas festas, podem ser utilizados os violinos, a cítara, a viola, os pandeiros e outros instrumentos característicos.

Na Linha dos Ciganos encontramos espíritos que tiveram encarnações como ciganos e também espíritos que foram atraídos para essa linha por afinidade com a magia cigana. Por isso, os ciganos na Umbanda não têm obrigatoriamente que falar espanhol ou romanês, ler cartas ou fazer advinhações. Há os espíritos ciganos que fazem isso porque já o faziam quando encarnados e outros não. Além disso, tiveram suas encarnações em variados paises, como os do Oriente, Europeus, Hispânicos, etc.

O “povo cigano" tem suas cerimônias próprias e tem seus rituais coletivos adaptados à Umbanda e suas sessões são muito apreciadas e muito concorridas, pois seus trabalhos estão voltados para as necessidades mais terrenas dos consulentes.

É uma linha espiritual em franca expansão e temos até linhas de esquerda “ciganas”, tais como a do Senhor Exu Cigano e da Senhora Pomba-Gira Cigana, muito procurados pelos consulentes quando se manifestam nas sessões de trabalhos espirituais.” (Saraceni, Rubens – Umbanda Sagrada – Madras Ed.)

É uma linha espiritual especial, cujas entidades trabalham na irradiação dos diversos orixás, mas louvam sua padroeira, Santa Sara Kali-yê. Seus trabalhos também podem ser sustentados por Pai Ogum, ordenador dos caminhos – e por Pai Xangô (que rege a linha do Oriente) – o fogo, pois os ciganos sempre estão ao redor de suas fogueiras.

Na Umbanda, atuam como guias espirituais, de maneira extremamente respeitosa e sempre procuram mostrar o caráter fraterno do povo cigano, seu respeito com o alimento e a capacidade de repartir o pão. Aceitam o ritual umbandista, como meio evolucionista, e retribuem com suas ricas orientações e com a alegria de seus cantos e de suas danças.

pesquisa: aurea oliveira

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O ARCO-ÍRIS CIGANO

“Cigana, tu que és um espírito de luz, quando cruzares o nosso caminho com tua saia e fitas coloridas, irradia a força do arco-íris e envolve-nos de energia positiva, nos livrando de toda e qualquer negatividade que porventura se aproxime de nós.”

O povo cigano não aprecia a cor preta. Evitam-na inclusive misturada com outras cores. Esta cor lembra-lhes o luto, o drama, a inércia e o caos. Para eles, a liberdade representa o colorido da vida. Sua cultura e sabedoria são passadas diretamente, de geração para geração. Sabiamente, os ciganos sabem aproveitar todos os tons coloridos nas suas roupas, trajes e adornos. Para eles, nessas matizes existem alguns segredos.

Através das cores podemos obter o equilíbrio e a cura de muitos males físicos e espirituais. Somos beneficiados com o conhecimento e a importância da cromoterapia e podemos empregá-los no uso de vestes coloridas, na escolha dos alimentos a serem ingeridos, na decoração de nosso lar, no uso de pedras e cristais, ou também, na irradiação de luzes nas mais diversas cores.

O branco nos traz uma sensação de paz, tranqüilidade espiritual, discernimento no campo material e relaxamento mental. Deve ser usado para controlar nossa ansiedade e inquietude interior.

O amarelo libera nossa criatividade, ativa nosso poder mental, favorece a inteligência e nos devolve a autoconfiança, quando esta foi perdida. Deve ser utilizado em ambientes de leitura, estudo e negócios.

O azul claro é indicado para liberarmos a nossa emoção e trabalharmos a nossa sensibilidade. Tem efeito altamente relaxante. Deve ser usado durante a noite para dormir e para amenizar os estados de tensão.

O azul escuro traz confiança, disciplina, organização e estabilidade. Deve ser usado para trazer amadurecimento material e espiritual, e quando precisamos nos impor sem ferir os que estão ao nosso redor.

O lilás lembra a meiguice, o romantismo e a fantasia. Deve ser utilizado quando nos encontramos em fases de extrema cobrança exterior, rigidez, desencantos e austeridade com os outros e com nós mesmos.

O violeta é a cor do poder, da evolução espiritual, da cura, do misticismo e do lado oculto da vida. Deve ser empregado quando estamos deprimidos, preguiçosos, negativos, solitários e rancorosos.

O verde é bom para a saúde, para o coração, para o lado emocional. Traz-nos esperança, harmonia, confiança e disposição para viver. Deve ser usado quando estamos debilitados física, emocional e espiritualmente. Recupera o nosso vigor, nossa agilidade e juventude.

O rosa traz suavidade, amor, receptividade e alegria de viver. Muito bom para crianças, velhos e pessoas carentes. Deve ser usado para os momentos em que só encontramos defeitos em tudo e todos, nos lamentamos das oportunidades perdidas e não achamos graça em nada.

O vermelho nos remete às paixões, ao otimismo, à luta pela vida, ao lado de guerreiro que mora dentro de cada um de nós. Deve ser utilizado quando precisamos de energia, excitação, força, coragem. Esta cor aflora os desejos mais íntimos, tanto sexuais quanto amorosos.

O laranja, cor sagrada para este povo que veio do Oriente, representa o entusiasmo, a liberdade, o magnetismo e o prazer de estarmos vivos. Deve ser usada para quando nos encontramos presos a situações, quando nos sentimos isolados e buscamos o sucesso na vida.

Que o colorido do povo cigano possa trazer uma primavera de alegria e felicidade para todos nós em todas as fases de nossa vida!

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CIGANOS – BAILAM NO VENTO, CANTAM PARA AS ESTRELAS

Ciganos caminham sobre seus passos, guiados pela liberdade, desde sua mais tenra idade, orientados pelas lembranças ancestrais que os fazem amar o espaço, a luz, e o calor das fogueiras. Mesmo o cigano moderno tem em seu coração o apelo por reunir-se à noite para compartilhar as ações do dia, os acontecimentos, a resolução dos problemas, ouvir a sabedoria dos mais velhos.

O matriarcado cigano é forte, embora seja a figura masculina que mais se destaca. É através de seus paramentos que se identifica a hierarquia de um cigano dentro de sua tribo. As tribos ciganas nem sempre se confraternizam entre si, e mesmo podem ocorrer muitas rivalidades. Os Rom são os que têm se destacado entre a sociedade ocidental, com mais êxito.

As danças ciganas são evocações das forças místicas. Lembram a fluidez dos ventos, a sinuosidade das águas, o oscilar das chamas. Tem seu ritmo regido pelo vigor de pandeiros, palmas e batidas do pé, numa vibração única que os religam às raízes, à luz da Lua, imantando-os como numa unidade onde perpassa a energia.

Os ciganos encarnados hoje em dia lutam com dificuldades acerbas, que lhes dificultam exercer com plenitude seu modo de ser. São tolhidos pela falta de bens materiais e muitas vezes discriminados de modo que não conseguem bons empregos. Os ciganos que se destacam e se tornam ricos, em geral não divulgam suas origens, são discretos, mas de modo algum renegam sua raça, apenas a história de perseguições lhes ensinou a serem prudentes.

Já a falange dos Ciganos no astral, cresce dia a dia, pois cada vez mais antigos ciganos estão percebendo que o planeta necessita de sua sabedoria, do amor que lhes move sobre a natureza, sobre manter o equilíbrio entre os elementos água, fogo e ar , e o que era arte circense quando no corpo físico, utilizada em espetáculos, é plenamente usada com maestria, e permite que os ciganos se unam no astral , aos Povos do Oriente, cuja sabedoria acumulada em milênios é utilizada pelo bem e proteção da Humanidade, que neste momento passa por grandes dificuldades, pelo assédio de miasmas doentios, que lhes sugam as forças, lhes embrutecem o espírito, e é necessário muito auxílio para que toda a população terrena não caia em derrocada, assediada por personalidades perversas que ultrapassam seus próprios limites de maldade.

Mas é sabido que quando chega a meia-noite, só pode amanhecer, e é nisso que os ciganos acreditam também, desde seus primeiros passos, e aí está o segredo de seu sorriso fácil, seu porte altaneiro e seguro, é a certeza que a vida é única , embora infinita, e que por pior que sejam as dificuldades, as luzes da alvorada destroem todos os sonhos maus, os empurrando para longínquos lugares, fora do alcance de seu mal.

Os ciganos acreditam no perigo, sabem que a bondade absoluta desprendida é raro tesouro, por isso, aqueles que adquirem o conhecimento e o poder de auxílio, obtém uma espécie de graduação que se localiza paralelamente às religiões, eles vibram no Espiritismo e na Umbanda, também influenciam os espiritualistas sinceros, mas estão em vibração no seu diapasão próprio, pois eles não querem se prender a outros dogmas, eles são fiéis, até à eternidade, às suas próprias interpretações de andar entre as estrelas, o que é sua própria natureza.

Na Umbanda, diz-se que há não ciganos que agregaram a essa falange, mas na verdade são espíritos ciganos que em algum momento escolheram outros aprendizados e num outro momento voltam às fileiras de trabalho dos ciganos.

Quem anda por esse mundo ainda em envoltório físico, e conhece, aceita e absorve a vibração do Povo cigano, que o protege, tem de ter a mente aberta e o espírito corajoso, desapegado e saber se energizar plenamente, para conseguir receber os conhecimentos mágicos que eles costuma fornecer. A simplicidade é uma das qualidades mais difíceis para o homem adquirir, assim como o amor de ordem cósmica, que os ciganos são exímios mestres, e é a mais poderosa das magias. O amor cura, supera erros, cicatriza feridas da alma, perdoa o pior erro, ensina, dulcifica, equilibra.

O cigano no mundo espiritual que está ao nosso lado, por escolha, na luta do resgate da nossa Terra, nos traz o brilho das estrelas em seu sorriso, a jovialidade das ações, como faz com sua dança, e a capacidade da sensibilidade expandida, que guia nossos passos pelos caminhos corretos. Nem sempre caminhos seguros, mas sempre serão aqueles caminhos que terão as paisagens mais belas, as lições mais ricas, e com certeza, as noites de luar sempre evocarão as danças em torno das fogueiras de nossas mentes, onde podemos então compartilhar com os antigos, as histórias, os sentimentos corretos que apertam os laços familiares, a fidelidade aos compromissos, a objetividade na resolução dos problemas, mantendo pelos evos, os laços da alma, que se tornam então, indestrutíveis, eternos.

Alex de Oxóssi
Povo de Aruanda

domingo, 10 de abril de 2011

A NATUREZA CIGANA

Quando se trata de comportamento, os ciganos são muito rígidos. Mas, na forma de viver, a palavra ordem é ser livre, “Nossa liberdade é a natureza, nela não existem muralhas para tirar nossa visão do campo aberto, podemos ter contato com o solo, respirar o verde, sentir a brisa do vento, receber a força dos raios solares, contemplar a Lua, o brilho das estrelas e tudo o mais que ela possa nos oferecer,” diz Jordana Aristicth, no livro Ciganos – Verdade Sobre Nossas Tradições.

A teoria mais aceita é a de que os ciganos são originários da Índia, mas Jordana Aristich sugere que eles podem ser ainda mais antigos que os indianos.
Esse povo se espalhou pelo Ocidente a partir do séculoXV, e os primeiros representantes teriam chegado ao Brasil no século seguinte.

As perseguições portuguesas aos ciganos teriam sido uma das causas da vinda de alguns grupos para o Brasil. Um decreto de 1685 mudava as penas de exílio de ciganos da África para o Brasil.
O exílio, na verdade, era remas nas galés, que eram grandes barcos movidos pela força dos escravos. Já as mulheres foram mandadas direto para o Brasil.

Outros ciganos, pertencentes ao grupo Kalon, chegaram aqui em 1574, na época de D. Carlos V.
Os ciganos kalons acompanharam os exércitos mouros que invadiram e dominaram Portugal por quase quatrocentos anos e permaneceram lá após o término desse domínio.
A estimativa é de que existam hoje no Brasil um milhão de ciganos. Em vários momentos, eles foram perseguidos.

Considerados feiticeiros, muitos também foram condenados e mortos durante a inquisição. Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 500 mil deles teriam sido assassinados.

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MOEDAS

Os ciganos não tinham propriedades, não tinham terras, não tinham casas e tudo o que possuíam eram mercadorias ou verdadeiros tesouros em moedas de ouro e prata dos diversos países por onde passavam. Esses metais, conhecidos da Alquimia antiga, sempre foram poderosos instrumentos de canalização de energias positivas, fazendo parte de amuletos e talismãs por tudo o mundo.

A tradição cigana rapidamente encontrou uma forma de dar certa utilidade a seus tesouros, aliando seus conhecimentos mágicos e alquímicos à necessidade feminina de criar atrativos para sua vaidade. Surgiram, assim, as famosas Simpatias Ciganas com Moedas, hoje disseminadas pelo mundo todo.

Decoram os pulsos, os pescoços e as testas das ciganas penduricalhos feitos de moedas, que chamam a atenção.
Antigamente, esses enfeites femininos eram feitos com moedas do mais puro ouro ou, no mínimo, de prata de lei. Com o tempo, esses metais nobres foram deixando de ser utilizados nas moedas comuns, em circulação, restringindo-se aos colecionadores.


Na falta de moedas de ouro e prata, nada impede que se use outros metais menos nobres, como o cobre, o bronze, o níquel e até o aço inoxidável. O que se deve evitar, em toda e qualquer simpatia dessas, é o uso de moedas de alumínio.

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O SÍMBOLO GEOMÉTRICO DOS CIGANOS

O grande símbolo geométrico do Povo Cigano é o Círculo Raiado (representando a roda da carroça que gira pelas estradas da vida), provando a não linearidade do tempo e do espaço.
Simboliza a Samsara, representando o ir e vir, o circular, o passar por diversos estados, o ciclo da vida, morte e renascimento, e é usado para atrair a grande consciência, a evolução, o equilíbrio.

Pentagrama (estrela de 5 pontas) simbolizando o Homem Integral (de braços e pernas abertos) interagindo em perfeita harmonia com a plenitude da existência.

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